Racha Vs. Marginal
Reportagem sobre dificuldades encontradas por pilotos amadores, por: Tércio Granzotto e Claudio Kaiser

__Atualmente, o "racha" ou apostar corridas em vias públicas é tipificado como crime culposo (aquele que o réu comete sem intenção) e classificado, no Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9503/97), como infração gravíssima. Assim, quem promove ou participa de manobras radicais aliadas à alta velocidade dos veículos em uma espécie de competição pode receber sete pontos na carteira de motorista, que pode ser multiplicado por cinco, e ter que pagar multa de até R$ 2.460,00. Também pode ter suspenso o direito de dirigir, o carro apreendido, e ainda estar sujeito à pena de detenção de seis meses a dois anos.

__É isso que os proprietários de carros preparados querem fazer ou promover? É claro que não! Querem segurança! Mas também testar seus carros contra outros iguais em preparação, e infelizmente isso ainda acontece nas ruas. Como resolver o problema então? Como testá-los dentro da lei, ou sem que algum Tiozinho metido e aparecido queira testar sua nova Audi contra os Passats, Opalas, Saveiros, Gols e outros que temos rodando por ai? (o pior é que ele vai comer poeira, e os dois colocarão suas vidas em risco).

__Não somos adeptos e nem promovemos este tipo de crime, mas quem gosta de carro forte quer acelerar, e enquanto essa subcultura não for reconhecida as cenas se repetirão, policiais correndo atrás de rachadores ao invés de criminosos de alta periculosidade.

__Temos em São Paulo por exemplo, o autódromo de Interlagos que é um espaço público mas que infelizmente por razões burocráticas “$$$” fica muito difícil utilizá-lo, e temos lá etapas do campeonato de arrancada, um projeto antigo para tirar rachadores de rua que acabou virando um esporte caro.

__Uma das soluções apontadas, e cansadas de serem discutidas, seria disponibilizar parte do autódromo para “pegas” amadores, com carros de rua (aqueles que estariam tirando “rachas” nas ruas). Pagando por cada “puxada” ou pela noite toda. E se lotar que façam de segunda à segunda, não importa! Iríamos ter alinhando Opala versus Gol, Fusca versus Passat e assim vai... Putz olha lá! Até o Tiozinho com a sua nova Audi chegou e vai alinhar com um Maverick, aqui ele é bem vindo!

__Digo mais, o público gosta dessa “treta” entre carros de rua, porque então não cobrar a entrada? Em dinheiro, alimento ou um agasalho em bom estado? Será que vivemos em uma cidade que não há pessoas necessitadas?

__Quem organizaria um evento desses? A CUT? A Federação Paulista de Futebol? A Nasa? NÃO! Existem muitas parcerias entre empresas, mídia e entidades que poderiam realizar eventos do tipo, com apoio da prefeitura e sairem todos lucrando. Mas o boato que corre no autódromo de Interlagos é que algumas categorias de automobilismo “influentes” não suportam a idéia de que outro tipo evento traga mais público do que o destinado à criação da pista.

__A solução citada acima talvez não seja a mais correta, mas queremos deixar bem claro que em cinco minutos de bate papo entre amigos nós conseguimos imaginar soluções que os políticos e grandes homens responsáveis pela infra-estrutura de transito de São Paulo nunca pensaram a vida inteira, vai trabalhar cambada!

__E, para quem curte customizar o carro incluindo a preparação do motor nosso conselho é que busque legalizar todos os itens modificados e andar dentro da lei, para não ser tratado como marginal.

Abraços e até a próxima,
Tércio Granzotto
terciogranzotto@hotmail.com

Claudio Kaiser
cmksr@ig.com.br

 
Colaborações no texto: Michael Bazzarello, Jason De Machado e Aline Rodrigues - Foto: Divulgação (fonte: Google.com.br) - 10/08/2006